Irritando.

20:45



Barulho quando quero dormir. | Luz acesa quando quero dormir. | Que o mundo exista, quando quero dormir. | Insônia. | Ser avaliada. | Que devolvam algo que emprestei em outro estado que não aquele que a coisa tinha ao ser emprestada. | Que perguntem porque não escrevo na linha. | Que fiquem atrás de mim no computador. | Que fiquem pescoçando quando leio uma revista ou livro. | Que toquem nos meus pés. | Que toquem nos meus cabelos. | Que falem pegando em mim. | Bebida muito doce. | Comidas de São João. | Comidas doces e salgadas misturadas. | Comidas com milho. | Andar de avião. | Unhas dos pés pintadas de cor escura. | Pessoas forçadas. | Pessoas que não sabem escrever e falar e corrigem quem fala e escreve errado. | Quem tem preconceito. | Quem se arruma demais. | Quem usa maquiagem demais. | Paula Fernandes. | Quem critica alguma coisa sem nunca ter lido/visto/assistido àquilo. | Que duvidem daquilo que digo com convicção e certeza. | Arnaldo Jabor. | Que me deixem explicar uma coisa durante um tempo enorme e no final digam não ter entendido nada e peçam para explicar de novo. | Quem eu não tenho intimidade e me visita sem avisar. | Visita em geral que não avisa que vem visitar. | Falar ao telefone. | Telefone. | Natal. | Reveillon. | Conversa séria de manhã cedo. | Redes sociais. | As informações irrelevantes das redes sociais. | Pessoas que constroem uma vitrine nas redes sociais - e saiu dali, é só o oco, manequim. | Quem valoriza o parecer e despreza o ser. | A moda Clarice e Caio que não acaba nunca. | Que façam a piada do mudo - nossa, como você fala demais, não aguento ouvir sua voz - diante de uma pessoa calada. | Que falem demais. | Que me perguntem porque escolhi a profissão que escolhi. | Esquecer o que ia falar. | Que me digam o que eu deveria fazer. | Que me peçam para fazer algo e fiquem analisando todos os passos. | Macarronada sem queijo ralado. | Acarajé frio. | Uva passa.| Que comentem no blog sem ler o texto. | Maria Gadú. | Homens de abadá, bermuda, pochete e óculos escuro na cabeça/pescoço. | Quem acha bonito ficar bêbado. | Quem não está bêbado e paga de bêbado só pra ter uma espécie de justificativa para fazer merda. | Quem bebe para fazer merda. | Micareta. | Carnaval. | Cigarro. | Homens que ligam o som do carro no volume máximo enquanto tomam cerveja no posto de gasolina e chamam as piriguetes para dançar ao redor. | Piriguetes. | Quem pensa que meu ouvido é penico. | Quem é feliz demais. | Quem é animado demais. | Quem é triste demais. | Quem é fútil demais. | Quem é inteligente demais. | Quem reclama do meu problema com gente - beijos. | Quem reclama que eu acho tudo normal demais. | Que falem mal dos meus amigos. | Que julguem. | Quem me conhece depois de conhecer o blog e acha que eu devia ser uma pessoa lírica, fofa, meiga e doce. | Que me perguntem: e aí? O que conta de bom? ou E as novidades? | Meu joelho esquerdo. | Quem me chama pra ver filme e prefere a opção dublado. | Filme dublado. | Que não entendam porque gosto de ver filme nacional com legenda. | Que insistam em tirar fotos quando não quero tirar fotos. | Zeca Camargo, Hebe Camargo, Wanessa Camargo. | Hipocrisia. | Chegar atrasada. | O momento de ir embora de um lugar muito cheio. | Quem ama uma música brega na voz de cantores que não são bregas, mas que quando descobrem que é brega, desprezam. | Crise de enxaqueca. | Doente conversando com outro doente disputando para ver quem está mais doente. | Comida sem cebola. | Não conseguir escrever. | Shopping. | Ver alguém jogando lixo na rua. | Sentar na cadeira da frente, no cinema. | Que puxem conversa comigo no ônibus. | Vendedores da Americanas, Riachuelo e derivados perguntando se não quero fazer o meu cartão. | Perder a tampa da caneta. | Caneta preta. | Ter que depender de alguém para qualquer coisa. | Ir ao banco. | Encontrar pessoas que há muito não se vê e ter que encenar o eterno - vamos marcar? Vamos mesmo. Precisamos. - que nunca dá em nada. | Semi-conhecidos. | As risadas virtuais hehehe e rs. | Que não prestem atenção quando estou falando. | Que me interrompam quando estou falando. | Quem mede a dor alheia e acha que está sofrendo mais. | Que entrem no meu quarto sem bater na porta. | Quem discorda de tudo só para discordar de tudo. | Pisar em chiclete. | Escovar os dentes para dormir, sentir fome, comer, sentir sono e ter que escovar os dentes de novo. | Jô Soares. | Quem acha que ver novela é brega, mas assiste a seriados. | Quem acha ruim que todos tenham acesso à internet e às redes sociais [grandes merda]. | Quem diz que sente saudades mas não move uma palha para mudar a situação. | Pessoas falsas. | Que fucem minhas coisas. | Que resolvam me falar uma coisa e depois digam: nada não, deixa pra lá. | Que descubram que tenho um blog. | Não achar o prendedor de cabelo. | Perder um lado do par de brincos. | Caio Castro. | Poesia que rima. | As redes de TV brasileiras. | Quem gostava do Menudos e critica o Restart. | Quem mastiga de boca aberta. | Telemarketing. | Falta de respeito. | Galvão Bueno. | Cólicas menstruais. | Pessoas grudentas demais. | Atendentes de repartições públicas. | Boates. | Que me acordem. | Pernilongo. | Tempo frio demais. | Animais domésticos. | Levar a culpa por algo que não fiz. | Tosse. | Perguntas pessoais demais. | Quem faz drama com o horário de verão. | Quem faz drama, com qualquer coisa. | Quem concorda com tudo. | Quem discorda de tudo. | Crianças que agem/ se vestem como adultos. | Dor nas costas. | Dor no joelho. | Qualquer dor física. | Tormentos musicais [aquelas músicas toscas que grudam na mente]. | A mulher do Avast falando das definições de vírus. | Fãs póstumos [tipo a moçada que começou a amar Amy Winehouse/ Steve Jobs por esses dias].  | Quem me imita. | Quem tem mais de 20 anos, lê Crepúsculo e ama. | Quem reclama de tudo. | Quem reclama de gente que reclama de tudo. [Minha lista é pra reclamar, não me insira aí - HAHA]. | Esmalte descascando. | A sensação de ter esquecido alguma coisa e depois descobrir que de fato esqueci alguma coisa. | Miguxês. | Quem insere espaço entre as palavras e as pontuações. | Quem se acha superior. | Rixas entre fãs de Guns e Nirvana. | Quem não sabe ouvir. | Blogs de moda feitos por gente que não sabe nada de moda. | Blogs piscantes, com música, anúncios, frufrus, fotografias, buzinas, faixas e promoções. | Que me chamem de blogueira. | Slides no powerpoint com mensagens de autores famosos que nunca escreveram nada daquilo, por e-mail. | Domingos. | Quem faz dieta sem precisar fazer dieta. | Que me digam que eu estou magra. | Pessoas espaçosas. | Estudantes de Medicina que acham que são/serão o Dr. House. | Estudantes de Direito que se acham juízes. | Estudantes de Jornalismo que fazem um blog e acham que sabem escrever apenas por fazer Jornalismo. | Sentir fome. | Casais que brigam em público. | Quem não tem tempo para nada. | Quem acha que é status não ter tempo para nada. | Qualquer um que por ter nível superior acha que sabe mais que os outros. | Generalizações. | Pessoas insistentes. | Regina Duarte. | Pessoas que me elogiam demais. | Que não tenham senso de humor. | Que me subestimem. | Cerveja em copo de plástico. | Repertório de artistas que tocam em barzinho. | Quem não larga o celular. | Quem não fala palavrão. | Que o controle remoto não esteja ao meu lado quando estou deitada e quero mudar de canal. | Que assistam TV zapeando como se não houvesse amanhã. | Embalagens que façam barulho quando não quero chamar a atenção. | Religião. | Quem acredita em tudo o que a mídia diz e não aceita correções. | Cults que só leram a wikipédia. | Multidões. | Falta de educação. | Discussões polêmicas: aborto, política, pena de morte, meio ambiente, união homoafetiva, melhor time, melhor marca de catchup. | Flamengo. | Torcedores do Flamengo. | As doutrinas majoritária e minoritária no âmbito jurídico. | Trotes em universidades. | O clima instável da minha cidade. | Que levem tudo a sério. | Números ímpares. | Carro estacionado na calçada, me fazendo andar no meio da rua movimentada. | Que digam: na minha época não era assim. | Neymar. | Pessoas com carência afetiva. | Cu doce. | Joguinhos para conquistar alguém. | O fato de estar na moda ser nerd e todo mundo achar que é, principalmente se rolar uma blusa xadrez e um par de óculos com aro colorido. | Guetos propositais. | Encontrar pedaços de osso do frango em qualquer coisa recheada de frango. | Times New Roman. | Que não justifiquem o texto ao formatá-lo. | Letra branca em fundo preto. | Os que acreditam piamente em astrologia. | Que me chamem de querida, amiga, flor, meu bem. | Aeroportos. | Maconheiros pseudohippies. | Jornalistas que acham que podem e sabem falar sobre todos os assuntos. | Pessoas indecisas. | Quem não é nordestino e imita o sotaque nordestino [principalmente no cinema, TV]. | Quem exalta os demais países e menospreza o Brasil. | Indiretas. | Dentistas. | Quem canta errado, em inglês. | Comprar uma coisa e depois passar em frente à loja e ver que o mesmo produto está pela metade do preço. | Esperar. | Luana Piovani. | Quem fica mordendo o canudo quando acaba a bebida. | Quem acha que ser popular é sinônimo do que não presta. | Quem faz esforço para não ser amado e querido por muita gente para manter a pose de alternativo, inalcançável. | Quem acha que me conhece. | Quem traça minha personalidade com base no que lê, vê e escuta, mas nunca conversou comigo. | Quem acha que me irrito fácil. Magina! Logo eu?

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Escrito após ler as irritações de Romova e ver as minhas saltarem daqui, para fazer par.

Alinhavando.

13:29


Retalhos do que fi(n)ca.


Eu: uma das coisas mais bonitas de minha vida é ter nascido brasileira. Além de brasileira, nordestina. Além de nordestina, baiana. Quero mais nada.

Amigo: você tem cara de quem vira um copo de uísque sem nem fazer careta.

Amigos e família: deixa de ser chata.

Sergio: minha sobrinha preferida, e só é sete anos mais nova que eu.

Eu para Éden: e mesmo se eu ficar careca e sem dentes, você ainda vai sair comigo?

Amiga: você tem cara de ser muito mãe deles. [Dos meus irmãos].

Primo: olha a cara dela, desprezando todo mundo. Mas eu gosto. É uma das primas que eu mais gosto, mesmo ela me tratando assim.

Mãe: nossa família é a gente. Eu tô morrendo de saudades de vocês.

Sergio: o problema dela é que ela é muito seletora. [Sobre minha análise dos caras ao redor].

Amigo: eu gosto de você mesmo você gostando de Los Hermanos.

Avô materno: você ainda vai ser grande, minha filha. Vai ser alguém maior.

Éden: para de falar assim. A pessoa mais romântica que eu conheço, desacreditada no amor. Para com isso.

Amigo: quer ver a Jaya xingando? É só dar um aparelho que ela não saiba mexer.

Tio: eu gosto demais de você. Não esquece disso nunca. [Abraçando e beijando].

Colega: ela não faz de propósito. É só o jeito dela, com todo mundo. [Me apoiando em defesa ao meu jeito brabeza de ser].

Eu amando: eu vou pulando de pogobol até a porta da sua casa.

Mãe: vem aqui, sua insuportável. Como é que pode ser minha filha?

Eu e Sofia: ela me abraçando e me levantando, no dia em que fui embora.

Pepê: olha que eu trouxe pra você. [Uma caneta, uma bala ou alguma coisa que ele lembre que eu disse estar precisando/com vontade].

Tia Rita: os meninos todos ciumam quando digo que ela é a sobrinha que eu mais amo. Mas o que eu posso fazer, se é mesmo?

Eu: já escutei muito Asa de Águia. Amigo: eu te perdoo.

Tio: você não tem que ligar pra nada disso, não. A gente sabe o que você é. Pra gente, você é.

Avô materno: você tá magrinha demais, não pode ficar sem comer. Nina, traz lá aquele biscoitinho pra ela. 

Eu: Cumpadi Washington moldou o meu caráter.

Avó materna: o que? Você conseguiu? Repete pra mim, não acredito! Deus abençoe, minha filha.

Eu para Éden: eu faço tudo por você.

Primo: tem esses que aparecem às vezes, por obrigação, por necessidade. Você, não. Você é nossa.

Mãe: vai dar tudo certo, fica tranquila. Você tem a gente, minha filha.

Eu para Agnes: eu gosto de gente que sonha. Que vai, mesmo sem pensar, mesmo que seja maluquice. E você vai.

Tio: a gente pirraça, grita, xinga, mas a gente ama muito. A gente ama vocês demais, me dá um abraço e vem ouvir essa música aqui.

Mãe: vai querer comer o que quando chegar? Vou fazer aquele doce que você gosta também.

Avó materna: bordei isso aqui com seu nome, olha. Vou terminar pra você levar.

Mãe: você sempre foi assim, desde miudinha. Quando dizia que acabou, não voltava atrás. E não volta.

Manu: conversei com ele sobre amizade e nos demos por satisfeitos. É como se, nesse campo, já tivéssemos encontrado nossas almas gêmeas. Ele encontrou M. Eu, você. Não precisa mais ninguém.

Mãe: Rebeca ainda fica muito emocionada, não consegue falar com você. Quando escuta sua voz, quer abraçar o telefone.

Avô paterno: vixe, mas tá pisando bonito. Sapato novo? [Toda vez que uso salto].

Primo: você é uma desnaturada, toma vergonha! Não tem mais família não? Trata de vir aqui visitar a gente e deixar de ser ingrata.

Avô paterno: olha aqui essa foto de você quando era pequena, vem ver.

Glau: eu sinto sua falta como se tivéssemos passado mil anos juntas.

Avô materno: a mais bonita de todas nessa foto aí é Jajaya.

Eu para o mundo: foda-se, sabe?

Avó paterna: você é a minha. [Quando eu falei sobre todos serem os prediletos de alguém].

Mãe: você é a amiga que eu tenho aqui. É a minha melhor amiga. 

Avó paterna: vou pra missa. Rezar por você.

Manu: você passa tão zen por essas situações. Eu não aguentaria. Às vezes acho que você é o próprio Buda.

Amigo: você é uma das pessoas mais inteligentes, ternas e sensatas que eu já conheci.

Avó materna: você tem que parar com isso, tem que ser simpática com as pessoas, deixar de ser bicho do mato. [Sobre minhas eternas fugas para não fazer o social com parte da família que não me interessa].

Eu para minhas avós: eu não sou obrigada, não sou política, não preciso ser falsa com quem eu não gosto e não tenho que conviver.

Daniela: vou sentir sua falta. Falta dos seus dramas, das suas oscilações de humor, da sua risada.

Éden: é que eu te amo, sua besta. [Recado deixado no meu mural, na parede do quarto].

Manu: não fui me despedir porque não tive coragem. Na verdade eu tinha a esperança de que você não fosse ter coragem de ir.

Amiga: você não pode desistir dos seus sonhos. Nunca.

Ethel: hoje fui fazer uma prova e a pessoa que sentou na minha frente usava o seu perfume. Lembrei de você, na hora.

Amiga: você nem precisa dizer nada. Não consegue disfarçar. Suas emoções ficam muito estampadas na sua cara.

Tio: eu gosto muito quando você vem ficar aqui com a gente.

Tia: Jaya morou lá em casa uma época, quando era pequena, e aí ela e Mônica viraram irmãs. Mas são irmãs mesmo, um amor doido. Malu chama ela de tia. [Me abraçando e contando nossa história para alguém].

Môni: Malu acordou essa noite chamando você. Acho que consegui passar pra ela todo esse nosso amor.

Môni: essa aqui é minha amiga, minha prima, minha irmã de coração. [Quando me apresenta a qualquer pessoa].

Malu: eu vou com você, tia Jaya.

Môni: eu não sei exatamente o que seria da minha vida sem você. Eu te amo.

Pai: você não precisa fazer isso, se não quiser. Só tem que ficar tranquila, tenta dormir. [Durante minha crise de ansiedade e choro, três horas da manhã].

Amigo: I love you to the bones.

Amiga: eu queria ser sincera no que sinto em relação a todo mundo, assim como você é. 

Agnes: vamos. [Em resposta a qualquer convite que eu faça. Sonho ou realidade].

Lua: a Jaya seria um especial de fim de ano, mas dirigido pelo Selton Melo. Fotografia boa, umas ideias simples, e uma melancolia só pra dar o tom. [Sobre transformar as vidas em coisas televisivas].

Professores: você escreve bem, mas sua letra é muito pequena.

Eu amando: vou dizer que te amo só pra ver como fica.

Colega: ave Maria, você é tão linda. Eu sou assim, quando vejo alguma coisa bonita tenho que falar, não consigo ficar quieta.

Eu: não escrevo na linha, não consigo. Mas também nunca pisei no chão.

Cora: a Jaya vai? Então o filme vai ser ruim. Todo filme que a gente assiste com ela é ruim.

Éden: sem você sou pá furada. [Cantando ao meu lado e de mãos dadas comigo durante a execução da música no show de Los Hermanos, em 2010].

Vinícius: a todos que de algum modo tornaram este livro possível. Especialmente, Eliana e Jaya, pelos incentivos. (...) [Na dedicatória do seu primeiro livro].

Padrasto: Jaya, escreve um livro, Jaya.

Mãe: ele chegou aqui em casa encantado com sua poesia, dizendo como tudo era lindo, falando dos textos. E eu disse pra ele: ela sempre escreveu bem. Eu sempre soube. Não para de escrever não, viu?

Eu para Manu: eu nunca vou falar nada pra ele, não quero arriscar o que existe. Eu estou feliz só por estar sentindo.

Amiga: você não acredita em você? Eu acredito em você. Olha aqui pra mim: você tá preparada, oxe. Vai chegar lá e vai arrebentar. Depois você vai me contar e a gente vai dar uma festa e gritar nesse espaço inteiro.

Mara: mas é pirracenta, olha a cara dela. Nunca vi atentar tanto.

Eu: não tenho mais cabeça pra isso, cansei, vou parar, essa é a última vez. [E depois levantar no dia seguinte, recomeçando].

Tia Ju: parece que foi ontem que você era aquela menina que cantava e dançava as músicas de Xuxa no meio da sala.

Amorzinho: você nunca diz eu te amo. Eu sempre falo antes, você só diz: eu também. [Sem saber que isso nunca havia sido dito, a ninguém, em voz alta].

Cora: você parece a Salma Hayek no filme Frida, mas sem a monosobrancelha.

Eu: nada disso me importa tanto assim, eu só quero poder viajar sempre.

Felipe: você é foda. Se eu fosse mulher, ia querer ser você.

Clarinha: certas pessoas, as da espécie dela, nasceram com um potezinho especial de luz e, sem saber, eles se iluminam e nos iluminam de uma forma mágica, fraterna. [Numa das linhas mais bonitas que já me (d)escreveram].

Kalyua: só na casa da Jaya pra ter um almoço de jovens ao som de Chico Buarque, Vinicius, Toquinho e Tom Jobim. [Durante um almoço baiano sem axé, há alguns anos].

Avó paterna: ave Maria, essa menina não gosta de nada, como que engorda assim?

Mariceli: hoje é seu aniversário? Lembrei que você me disse que nasceu no dia de São José. Olha, parabéns! Você pra mim já é uma pessoa especial e eu nem sei explicar o porquê. Gosto muito de você. [19 de março de 2010, numa ligação inesperada que me fez chorar].

Eu para Cacá: se tu lavar a louça depois do almoço, te dou dez reais.

Cacá: cadê meu dinheiro? Vou falar pra mamãe.

Mundo: seu nome é lindo/exótico/estranho/bonito/éapelido/oquesignifica?

Amiga: é tão bom te encontrar e poder te dar um abraço.

Mãe: tá sem fome? Só pode estar apaixonada.

Eu: é Jaya. J-A-Y-A.

Renato: vem cá, deixa eu te apertar pra ver se você existe mesmo. [Ao me conhecer, em BH].

Eu acreditando: ele nunca disse que me ama, mas eu sei que ama. 

Madrasta: pega aqui esse copo. Quando a gente chegar mais perto, você tenta colocar aqui dentro. [Numa viagem onde eu, criança, queria pegar um pouco de nuvem enquanto o carro ia subindo a serra].

Amigo: não vai embora, não. Fica aqui com a gente.

Eu para a amiga: ele é tão lindo que se vier falar comigo eu vou cair da esteira. Melhor ele me ligar, assim não tem acidente.

Pai: quando ela era pequena, foi escrever o nome dela e escreveu Jaya Magaya. [Pirraçando, quando eu era menor].

Amandinha: eu lembro que quando eu era pequena eu dizia que quando crescesse queria ser que nem tu.

Colega: ei, nem olha pra ela. Não fala com ela não. Ela é minha amiga, conheci primeiro.

Paquerinha: já disse que você é linda? Eu: não, diz aí.

Amigo: com ela você vai, comigo não. Nunca me convidou. [E eu morrendo de amores por ele].

Senhora da lanchonete: ela sempre vem aqui, gosto dela, principalmente quando abre esse sorrisão.

Eu: não sou feliz, não. Mas às vezes eu fico.

E quando a costura termina, tenho um manto de lembranças. Brilham todas. Me cubro e vou. Sempre fui/foi assim.


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Descaradamente imitado e inspirado no texto Momentos, de Cristal.