Moço do Violão.

21:43

Cantador de mim.

Distraída, ouvia as lembranças de Chico. Aquele CD ao vivo, em Paris, que você tanto gostou quando eu te mostrei. E a tarde foi ficando cor de rosa, começou a trovejar e chover certinho. Lembrei tua voz.

Voltei àquele sábado qualquer, com você aqui em casa, na varanda, de óculos, chapéu, e vestindo um sorriso de festa. E eu ali na mesa, mãos ao queixo, olhar de menina boba guardando teus zumbidos. Nem contava para ninguém dos arrepios que teus acordes causavam em mim. É que eu sempre fui música. E tê-la entregue assim, enquanto você dedilhava as cordas e pousava uns olhos escuros e leves em minha face, me fazia rubra, em minha timidez.

Tua voz é brisa primaveril, sim. Mas teu pedaço que me (en)canta, é o violão. Vocês, juntos, parecem uma coisa só. Por isso ontem à noite, madrugada adentro, eu resolvi que queria tê-lo e coloquei você no meu radinho de pilha. Antes de deitar, olhando pela janela, uma lua que eu não sei dar nome fazia morada no céu azul marinho. E eu quis Tom. Porque por um segundo quase pude enxergar o Corcovado e o Redentor. Do meu norte, fui ao Rio. No meio desse devanear ilógico, uma estrela cadente riscou aquele azul. Os rastros eram notas de você.

Essas gotas milimétricas de chuva que vão despencando com a suavidade espontânea de uma lágrima contente, soam um tanto desafinadas. Nem discuto muito porque fico pensando em amor. No sopro de João Gilberto contando que no peito dos desafinados também bate um coração. Vou acreditando na nossa última conversa. Bossa nova. Porque eu tenho um bom papo musical, você disse. E tudo isso, como sempre, de violão no colo, passeando os dedos distraídos, melodiando qualquer coisa enquanto vinha com teus zumbidos. Qualquer coisa de pápápápá. E uns olhinhos expressivos. Naquele dia, você não carregava teus olhos de ressaca.

E como o sol que vem de manhã, em amarelo e calor, eu fiquei querendo ser a menina da tua música. Despertador do meu celular, teu canto para ela. E eu tomei a composição inteira pra mim, com aquela propriedade única de quem sente. Teu violão desperta feitiços, meu cantador. Isso explica o porquê de olhares zombando minha concentração ao te ver no palco. E nem o rapaz que piscou freneticamente pra mim, enquanto eu dançava você, conseguiria entender minha ebriedade. Cuspia filosofias com uma insanidade eloquente. E era tudo culpa do teu violão, moço.

Hoje o dia não poderia ser mais bem escrito. Tua presença musicada e minhas letras saudosas. De lembranças. De ver meu violão ali, no canto, abandonado. Você foi a última pessoa a tocá-lo, enquanto insistia para que eu o acompanhasse nos meus acordes errados e tortos. O meu desconcerto tamanho. E o fio de voz que eu te dediquei, por pura insistência. Teus deslizes recheavam minha harmonia. E nosso dueto do samba de uma nota só, querendo Tom, de novo. E eu declarando meus guardados nesses dois versinhos que cifravam você, em mim:

E voltei pra minha nota como eu volto pra você.
Vou contar com uma nota como eu gosto de você.

E eu contei. Cantei. Por isso tua dança, aqui dentro. Eu sendo a menina que você escreveu. Aquela dos olhos de saudades. A mesma que, enquanto faz melodias com as gotas dessa chuva certinha, encontra tempo pra falar de estrelas, de contos de fadas, de um mar sem fim. De um céu, assim. Com uma lua que eu não sei dar nome. E que hoje, dedico a você.

Teu sorriso ecoa minhas horas. E dessa noite, farei um cobertor de sonhos. Trilha sonora de você, moço do violão.

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31 comentários

  1. Jaya, já falei que seu jeito musical de escrever é delicioso?
    Então falo de novo!

    Tudo de bom pra você(s)!!!
    Beijooooooo

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  2. É o segundo post da senhorita que leio. A senhorita escreve muitissimo bem! Me encantou novamente e desta feita o fez de um modo mais doce, mais belo, pois estou aqui já aguardando para lê-la novamente. Obrigado pela oportunidade.

    Abraço, até breve,

    R.Vinicius

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  3. Ai Jaya, um dia tu me matas com suas palavras doces.

    Eu consegui até escutar um violão dedilhado ao fundo enquanto eu te lia atentamente. (o legal é que tinha acabado de escutar antes uma música do Almir Sater que é um primor).

    Suas palavras realmente parecem música, e na verdade eu acredito que tu sejas música mesmo. Música leve com versos adocicados. Música que fala de tudo com tanta leveza que parece as nuvens formando coisas no céu azul, e ali nossa imaginação voa e vemos de tudo. E assim também é quando eu te leio.

    Aqui, esse seu cantinho, é uma fábrica de sonhos, sabia? E tu nos ajuda a sonhar com chuva gostosa, com lua cheia, com violas bem dedilhadas e estrelas cadentes.

    E que texto mais lindo esse seu. Sempre são lindos. Tu tens um talento que me deixa admirado toda vez que eu venho aqui. E eu não consigo deixar de vir, de jeito nenhum, porque a minha adimiração por ti é grande demais.

    Tu deverias lançar um livro. De minha parte eu compraria, e até te ajudaria a lançar (quando quiser eu converso com o meu editor. Tu sabes que eu estou lançando um livro, né?). E seu livro venderia como pão quente na padaria, tal como o livro de Montesquieu.

    Mentira, acho que seu livro venderia como algodão doce em parque de diversão, ou maçã do amor, ou qualquer outra coisa que lembre coisas doces e boas, porque sua escrita é tão linda e encantadora que nos faz voar contigo por seu mundo fantástico.

    Jaya, depois passa no meu humilde cantinho. Gosto muito quando tu vais lá, fico extremamente lisongeado.

    Um grande abraço,
    Átila Siqueira.

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  4. Oi Jaya!

    Posso dizer que também ouvi o violão tocando enquanto eu lia.
    Sabe, teu texto me trouxe lembranças daquelas gostosas, gosto de amor menina...

    Lembrei do moço do violão que um dia cantou meus passos. Eu, tal como a moça do texto, atentamente vendo os dedos que brincavam nas notas.
    Coisa boa se pudéssemos fazer da vida uma canção para que além de cantar os nossos dias contemplássemos a sinfonia dos outros...

    Eu contemplei a tua hoje. E, se me permite, hoje a tua música cantou para mim também. Amor cantado, composto e musicado.
    Amei isso tudo.

    Um grande beijo Jaya, é sempre um prazer vir aqui!
    Ká.

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  5. Jaya,

    Fiquei imaginando todas as cenas tão bem construídas na tua palavra e sentindo aquele gosto doce de coisa boa que faz a gente sorrir feito criança quando ganha brinquedo.

    É tão bom te ler.

    Sabe o que o Átila Siqueira disse lá no meu blog um dia desses? Que meu jeito de escrever lembrava o teu e eu adorei isso porque pra mim foi um dos melhores elogios que já recebi.
    A poesia flui dos teus dedos. Lindo demais!

    Beijo, flor!

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  6. Menina, qual é a mágica pra tanta doçura assim, hein?
    A gente vai lendo e parece que vai ouvindo uma musiquinha ao fundo, melodia doce de você.
    Gostei muito, muito mesmo!
    Me trouxe lembranças de uma certa pessoinha que gostei um dia. E adivinha o que ele era?...rs
    Apareça, linda!
    Beijooooo!

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  7. Ler essas palavras tão musicadas me deixam num estado de Êxtase. Tamanha estupefação pela forma poética que tu demonstras em cada palavra aqui escrita.

    Jaya, tu inspiração tá indo longe e meu coração agradece por essa doçura tão encantadora, essa ternura tão envolvente, presente nas linhas do seu texto.
    Texto que embala o nosso coração com notas suaves de um amor singelo. Com melodias de uma fina chuva que encharca a nossa alma de emoção.

    As vezes quando paro um minuto pra pensar, pra contemplar o horizonte e manter aquele contato, às vezes tão mudo, com meu Pai, penso nas coisas boas que me cercam, das magnitudes que encontro em coisas simples e nas jóias que completam meu céu estrelado. E é como um ato de esperar ali à sombra do afeto de Deus a pujança melodiosa de um amor enternecedor. No silêncio que se aplaca com notas líricas.

    Lembro de ti também e do seu poder de deixar o meu coração extremamente sensibilizado e emocionado.

    Tu tem uma alma grande Jaya. Admiro o grande brilho que tu ostenta. Fico maravilhado em saber que és tão fragrante por dentro. E a gente percebe isso, nas palavras sensivelmente escritas.

    É um dos textos mais belos que li. Um dos textos mais singelos em que meu coração pode se derramar em lágrimas. Belíssimo Jaya.

    Se tu parar pra se olhar no espelho, fique ali uns minutos te olhando. Perscrute sua alma. Te observe pra além dos olhos. Enxergue lá no fundo, lá no âmago da alma, lá onde o coração repousa. Não demorará e tu verás o que te torna tão especial e o que faz a gente te amar tanto assim.

    Tu é especial Jaya.
    :)

    Grande Beijo minha amiga querida.
    Te amo viu.

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  8. Eu sempre digo que os moços que tocam violão já chegam com 10 pontos na frente dos outros, tem algo de especial neles...
    Linda sua casa nova flor.
    Estou de volta a blogosfera.
    Bjinhos!

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  9. Que delícia de se ler e, de certa forma, de ouvir...
    Tão suave, tão encantador...

    Beijos

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  10. Repetitivo o que vou dizer agora, como vária vezes eu sou aqui. Mas o que fazer se você escreve realmente e tão bem?
    Pois então. Ouvi. Ouvi o fundo musical, ouvi as músicas cantadas, as palavras, os sussurros. Senti os arrepios, o rubor na face, o coração acelerado.
    Lindo demais.
    Como é que você consegue escrever bem assim?
    Deus me dê inspiração e que um dia eu consiga escrever qualquer coisa que lembre você.
    Beijos, querida.

    p.s:tô te devendo e-mail eu sei. vou ver se mando hoje.

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  11. Esse certamente foi o post com um BG mais evidente do mundo. Juro que ouvi vários sons.O texto parece ter ritmo de bossa.
    De qualquer forma...
    Que coisa que esse tal de amor faz com a gente, né?
    Transbordando ternura da primeira à última letra.

    Parabéns

    Grande abraço

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  12. pra você, Jaya, que é feito pedaço de mim, eu posso contar. é assim. quando eu amo, eu amo pra sempre. e fico amando quem eu tive, não quem é, de verdade. assim, nessas tuas palavras, que se eu soubesse poetizar do jeito teu, bem podiam ser minhas, eu senti. tôdo o amôr que eu tinha pelo meu passarinho (que agora é bruno, só. sem encanto nenhum, sem doçura).
    o violão e êle, uma coisa só, que num dia muito bom, foi coisa minha. a música que ele fez pra menina-do-rio, que eu tanto amei - a canção - e ele tanto amou -a môça - e que de tanta doçura eu mesma cantava, pra mim. as minhas noites, que fui mulher de Tom, de Vinicius, os dias em que carreguei o peso de ser todas as mulheres de Chico, de beatriz a geni.
    eu, bem agora, até fingi sentir muito, o que eu já não sinto mais. porque tu, é fada. de mão-de-palavra. que canta, encanta, me despenca, me mareja.
    e eu amo, já. demaismuito.

    ~~*

    tu, me plantou um sorriso bem gostoso pra noite de um dia muito bom.
    eu, espero o dia-do-prato, que será de encanto puro, porque disso eu sei na vida.
    só tu, pra me gostar, assim.! de palavra atravessada.
    ó.
    nem vou dizer nada, que meus hormônios se enfurecem e daí eu chorochorochoro.

    um abraço daqueles, dôce-de-Jaya.

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  13. ola


    gosto do seu blogue e por isso passarei por cá mais vezes.

    Boa semana

    http://arte-e-ponto.blogspot.com

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  14. Linda!
    Obrigada pelo teu comentário!
    Nem se preocupe com o espaço, como vc mesma disse, é de casa!
    Cê tem msn?

    Beijãooooo!

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  15. Oi, lindaaaaaa! Ô surpresa boa!
    Tão bom de manhã logo cedinho dá de cara com seu comentário!
    Fiquei rindo aqui sozinha, feito boba...rs!

    É verdade, eu sou totalmente apaixonada pelo azul, muito mesmo! E ler que vc tem o mesmo pensamento que eu sobre o amor me deu uma força danada!
    É reconfortante saber que existem pessoas nesse mundão que sentem e arriscam como eu. Ainda mais, uma fofa assim como vc!
    Quando amo, me jogo, me entrego mesmo, sempre foi assim. E com o meu azul não podia ser diferente.
    E se eu sofrer, o que é que tem?
    É sinal de que tô viva, ouura...rs!

    E vc tb tem um azul na sua vida? Eu já tinha notado isso pelo seu texto anterior (ou tô enganada?).
    Eles matam a gente, né?...rs! Tá bom de trocarmos figurinhas por e-mail. Pega o meu tb: debjamaica@hotmail.com.

    Ahhh...ó a tradução do trechinho que tá lá no blog em francês, da música "La Vie En Rose":

    "Olhos que fazem baixar os meus
    Um riso que se perde em sua boca
    Aí está o retrato sem retoque
    Do homem a quem eu pertenço
    Quando ele me toma em seus braços
    Ele me fala baixinho
    Vejo a vida cor-de-rosa..."
    (Ai ai...)

    Adorei as palavras, viu?
    Tb sou muito feliz com sua amizade e com suas emoções sinceras.
    Vc agora tb é estrelinha do meu mundo. Sempre!
    Beijos e beijos, flor!

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  16. Lindo Jaya.
    As palavras gostam de você, ou você delas.

    Lindo texto.
    Um dia, quando teu blog crescer mais um pouquinho, vou eleger a postagem mais bonita.. se é que isso é possível.

    Você tem o dom de encantar com palavras, moça.

    Bêjonocê.

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  17. ooooolha...

    estamos em sintonia,amiga =]
    nossos moços com seus violões,nossasa felicidades em acordes em mí maior..hsuahsu

    cm eu gosto do teu lirismo..

    e sim,eu escrevia e pensava"apontando p fé e remando" o jeitinho dos nossos hermanos.

    =]

    flores.

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  18. Lindo, lindo, lindo!
    Você escreve muito bem. Seus textos sempre me emocionam e conseguem me fazer ver, ouvir, sentir cada cena, cada sentimento descrito.
    Adoro passar por aqui.


    Beijos
    =*****

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  19. Jaya, muitissimo obrigada pela visita...
    Gosto daqui..
    Super beijo

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  20. Jaya,

    Como eu amo esse seu cantinho, que de "inho" nada tem. Espaço mais belo esse teu, quando te visito, minha vontade é de sair cantando, sorrindo, levando suas palavras juntinhas comigo, espalhando todo seu encanto, toda sua doçura, para outros sorrirem seus melhores sorrisos, assim como sorrio quando venho aqui. Menina, tu sabes o quanto você é especial? quando eu crescer, quero ser igual a você, rsrsrs. Tão cheia de ternura e tão intensamente viva. Ah que sonho.

    Sua visita no meu espaço, é puro contentamento. Ahh o amor? será que é isso que sinto? rsrsrs. Amor é palavra forte, feito vento em tempestade. Posso dizer que estou curtindo, encantada com tanto carinho, o que seria de mim se não fosse o romantismo? sou pequena, sou menina, sonhadora de corpo e alma. Meu coração está com as portas e janelas abertas, esperando e deixando essa claridade boa entrar.

    Outro beijo em nocê também querida, Eu volto.

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  21. Poetas são seres estranhos... Seu comentário foi tão espantosamente sensível e elaborado que já considero um poema!

    Fico sinceramente feliz de ter encontrado esse espaço.

    Além de talentosa , vc é extremamente generosa.

    Muito obrigado pela visita

    Grande abraço

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  22. Ia esquecendo...
    Quando de repente eu penso em dar um tempo no blog, por causa da correria, estudo, banda(sou músico também), vem comentários como o seu e reanimam. Você pegou a essência da coisa e, fiquei muito , muito feliz que tenha lhe causado alguma inquietação.

    Muito obrigado

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  23. Talves até por força da circunstância, este texto faz-se profundamente musical, com ritmo bom de se ler ouvir cantar.
    Cadinho RoCo

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  24. Linda!!!

    Jaya, minha floor! Será que dessa vez meu comentário vai?? (Travou todas as vezes que tentei antes!)

    Lindo, lindo, lindo!

    Quanta sutileza e beleza com as palavras, quanta musicalidade aos sentidos...
    Sabe, me arrepio toda quando te leio... porque aqui, não somente decifro: eu sinto também, e o que sinto é tãoo bom! Sensação boa e gostosa, que só escritores de 'mão cheia' conseguem transmitir!

    "Essas gotas milimétricas de chuva que vão despencando com a suavidade espontânea de uma lágrima contente, soam um tanto desafinadas"

    Que coisa linda! Me emociono toda, sabe? Culpa sua. Sorte minha!

    E ahhhh, sempre obrigada por todo carinho derramado lá no meu cantinho... Vc quem é um doce! Suas palavras soam como música aos meus ouvidos... És querida demais por mim, viu?

    Beeeeeeijo!!!

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  25. muito bom vir ao teu blog. é Lindo teu modo de dizer, é bom vir aqui,.
    Maurizio

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  26. Aaaaaaaaw
    me encontrou...
    Apesarf que eu sumi mas nao mudei de blog, né?
    Mudou pq? Como anda a vida?
    aaaaaaaai que saudades!

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  27. é difícil encontrar gente nessa idade que goste de Chico, João Gilberto, Bossa Nova... Gente que entenda o que Machado de Assis quer dizer... Gente que saiba quem foi Che...
    Por isso eu gosto daqui.

    =)

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  28. Primeiro, Jaya, deixe-me dizer algo sobre violões. Sabia que eu tenho um? Ali, à minha esquerda, dentro da capa empoeirada, desafinado. Dia desses peguei ele. Quis ver se ainda sabia dedilhar "Luar do Sertão", uma das poucas músicas que consegui aprender, naquele tempo. Mas estava desafinado! Droga. Sabe de alguém que afine violões por aí? Rs.

    Aah, ontem choveu aqui. Mas não foi certinha, a chuva. Foi pouca. Foi rápida. Não rendeu. Nem fez lembrar músicas passadas.

    E enquanto isso, sem muitas boas recordações pra lembrar aqui, Jaya, tal como você faz aí, eu vou sobrevivendo sem nenhum arranhão. Como Cazuza.

    Mas queira sempre o Tom, Jaya. Lembre sempre dos olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada. Queira mais luares. Janelas, principalmente. Faz bem.

    Agora, alguns achariam desnecessário dizer o que direi, mas insisto em dizer sempre, pra você nunca esquecer, viu? Esse texto está escrito bem demais, Jaya! Como a moça ali de cima disse, "esse seu jeito musical de escrever é delicioso"! Tá falado! E vê se não esquece.

    ;D

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  29. É lindo demais mesmo!!!
    Ouvi o violão ao fundo enqto lia tbm...

    Qdo lançar o livro avisa q vou correndo atras do meu *.*

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  30. Pois bem. Eu não deveria criar uma espécie de degraus para a sua genialidade. Pois, sempre que eu acho que você chegou ao topo, você constrói mais um, mesmo completamente fora do tempo. Mas não é ultrapassado.

    Jaya, eu estava aqui pensando como alguns textos exercem uma relação dialética comigo.

    Enquanto vou lendo, percebo que as letras, me lêem, me tateiam por dentro, e eu me vejo de outra forma e sou visto pelo texto, enquanto o leio. Parece que a coisa sai de mim. Mas, não, é a genialidade da autora, que tem a capacidade de ambientar seus textos para diversas situações. Logo, o texto não nasce em mim. Mas, a partir dele, tantas coisas nascem aqui dentro. E grita em forma de aclamação.

    Talvez você nunca leia este comentário. Mas eu precisava manter esse diálogo com o texto de forma mais objetiva. E pra ficar pra posteridade.

    2:13 da manhã. Com certeza, não vou dormir hoje. Mas seu texto compensou minha insônia.

    Beijos.

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