16 janeiro 2008

Recolhe todo o sentimento.

E bota no corpo uma outra vez.

[Todo o sentimento - Cristóvão Bastos/ Chico Buarque]

Basta um olhar diferente. Uma procura. Um carinho. Uma maneira de tratar. Um reparar no passar de mãos no cabelo. Uma saudade. Uma pirraça. Uma vontade exagerada de falar e querer ouvir do outro lado apenas aquela voz. Uma música. O nosso trecho. Uma fotografia. Uma vontade. Uma risada sem som. Uma necessidade. Um cheiro. Uma época. Um cuidado. Uma briga. Uma trégua. Uma certeza. E a dúvida de sempre.

Se houve final. Se começou outra vez. Ou se apenas se renova.

A verdade é que quando o pensamento não pára ao lado, e quando o prazo parece vencer, tudo só faz aumentar. O coração infla. Depois passa. Tudo some. Só que a mão de repente esfria sem motivos, e as coisas desandam outra vez, como se não existisse pausa.

Talvez entre nós ela não exista. O pra sempre acaba, e recomeça o tempo todo. Essa sensação de infinitude que complica e assusta, acalenta e tranqüiliza.

E o amor?