Ensaio sobre ele.

15:10


Os olhos escuros, quando muito perto dos meus, ficam mais claros. Parecem acender luzes para me mostrar os caminhos por onde seguir. São olhos meninos, quando sorri bonito de coisas tão simples. Olhos atentos, quando me derramo neles. Olhos ousados, quando me olham de cima, piscando intenções duvidosas. Olhos de tela para tudo o que seu coração sente – e que o meu aprendeu a ler desde a primeira vez onde minha retina descansou junto à sua.

O abraço é o começo de todos os seus carinhos. Me aperta, me desmonta, me recompõe, me traz de volta para mim, quando me perco no fim da tarde de alguma segunda-feira cinza. O abraço tem a medida exata de onde nasci para caber. No seu peito, aninhada em seus braços tão seguros, tudo pulsa cheio de calma – até mesmo as urgências deixam de ter tanta pressa, só para sentir tamanha eficiência: o mundo para enquanto a gente brota um pouco mais, um dentro do outro.

Tem uma voz tão séria que às vezes chega a trovejar. Ao mesmo tempo, essa mesma voz se adapta a tudo o que ouve. Canta para mim, quando está feliz ou muito bobo. Sussurra doce, desfazendo meus nós mais difíceis. Diz que me ama com a maior afinação de amor que existe no mundo. A acústica das suas palavras são mais precisas quando caem nos meus ouvidos que nunca se cansam de ouvi-lo. E no silêncio, em meio a todo aquele cafuné dengoso, sonhos comuns se aconchegam em nossos colos de nuvem.

Quando chega em casa muito cansado, preparo um afago de duas mil horas. Beijo sua testa, seus olhos, mordo suas bochechas e entrego um beijo bagunçado, só para vê-lo sorrir. Quando faço cócegas nas suas costas, todos os pelos se arrepiam – daí então ele implora para não parar nunca mais. Fico ali, distraidamente concentrada, deixando seu cheiro alimentar tudo o que respiro. Depois dele, não acendo mais incensos. Toda a essência do que me tranquiliza, me acorda, me espiritualiza, me faz melhor, encontro ali, no seu cangote – um mundo a mais em meio a todos os mundos que seu corpo me permite conhecer.

Me escreve coisas sempre transparentes, num exagero de sinceridade, tão comum a tudo o que representa. Faz chover em meu rosto lágrimas muito satisfeitas, a cada vez que uma frase ou um verso seu nasce para mim. Sente a vida de um jeito tão encantado que às vezes tento pegar suas lentes emprestadas, só para enxergar um mundo tão manso assim. Em meio a toda a sua lucidez, consegue fantasiar o que todos os meus momentos pedem, só para fazer doer menos. A surpresa mesmo acontece quando a realidade abraça nossos sonhos e entendemos o poder de querer, em par.

Me ensinou a andar de mãos dadas, a pluralizar meus pronomes. Me faz brilhar diferente, enquanto ele mesmo reluz em mim. Consegue me tocar com uma suavidade que nem parece caber em seus gestos firmes. É minha família mais próxima. Meu melhor amigo. Cuida tão bem das minhas horas que devolvo cada segundo com um amor assombrosamente imensurável. Sou maior, tão grande assim, por sê-lo, além do que sempre fui. E somos.


Hoje, todos os meus parágrafos antigos sentem muitos ciúmes. Não fazem parte dessa história, a mais bonita que já escrevi - sobre o meu melhor amor.

You Might Also Like

12 comentários

  1. Respiro, suspiro: tá lindo demais isso, gente.
    Moça do coração transparente.

    ResponderExcluir
  2. Eu acho tão bonito seu jeitinho de escrever esse amor lindo quando ele começa a escorrer pelos dedos. Parece fácil, sabe? Tranquilo. Eu terminei o texto me sentindo muito leve. E sorrindo, sim.

    Gostoso demais começar meu dia assim.

    <3

    ResponderExcluir
  3. Ai, Jaya. Já li varias vezes e a cada vez me apaixono mais por esse texto tão doce e cheio de amor. Gostei muito. Que lindo ver esse amor todinho aí entre vocês e que bom pra nós pois podemos ler coisas tão lindas assim.

    ResponderExcluir
  4. Jaya, menina moça que derrama suas poesias por onde quer que vá e invade qualquer noite por que a lua te convida a morar.
    E de tanto que vocês se amam tornaram-se cumplicies e reféns um do outro, sem preço, sem previsão de entrega, vitimas fáceis de um causo de amor.
    Ahhh moça se soubesses o quanto és bela??
    Beijos meus com muita admiração

    ResponderExcluir
  5. Eu amo te ler, todos os dias, cada dia mais.

    Jaya, você escreve muito sereno, me deixa em paz... É possível te sentir te lendo, como se em cada milímetro das entrelinhas tivesse um pouco de amor pronto pra transbordar. Você escreve amor, admiro isso e acho tão bonito.

    Te vejo andar de mãos dadas com a vida!

    Beijo

    ResponderExcluir
  6. Sempre que tem texto novo aqui eu corro pra ler porque sei que meu dia vai se transformar de alguma forma... dá vontade de viver cada parágrafo e dançar palavra, como se tudo fosse tão simples e doce quando você escreve. Obrigada por me lembrar de acreditar... Um beijo grande. <3

    ResponderExcluir
  7. É aquele tipo de texto que a gente lê cada parágrafo e suspira um pouco. Um suspiro de quem está sendo tocada pela mais singela poesia. Lindo! Concordo com a Débora, dá vontade viver essa história.

    Beijinhos estalados.

    ResponderExcluir
  8. Quanto mais te leio mais te quero ler.
    Tua prosa-poesia me descansa do peso de existir.

    Te abraço enorme.

    Wendel

    ResponderExcluir
  9. Vou é chorar, tá? Me deixa.

    Amo você ♥

    ResponderExcluir
  10. Sensacional!
    Lindo, lindo, lindo. Parabéns!

    Beijos, Jaya!
    Blog: *** Caos ***

    ResponderExcluir
  11. Que lindo, que suave!!! Estou encantada com tua escrita. A cada texto fico mais emocionada.

    Abraço profundo.

    ResponderExcluir
  12. Olá amiga, navegando nos blogs de amigas te encontrei e vim conhecer seu blog. Amei e estou seguindo. Convido você a conhecer os meus, se gostar seguir, será bem-vinda. Abraços, um domingo abençoado.
    Profª Lourdes Duarte
    Deixo os lingues dos meus blogs para quem desejar conhece-los e seguir. Ficarei grata!

    https://professoralourdesduarte.blogspot.com.br/
    http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir