LIVRINHO.



Um dia, alguns textos sentiram muita vontade de serem tatuados em papel. 
O resultado foi esse:

Fotografia: Lilian Higa.


Fomos inicialmente publicados pela editora Penalux. Atualmente, o mesmo livro está em projeto de publicação independente (com algumas modificações). E assim que estiver disponível o aviso será espalhado por todos os cantos, porque a gente gosta de chamar a atenção. 

Deixo aqui a apresentação que escrevi para ele, o Líricas, que em breve poderá ser seu:

Nasci sensível ao mundo, numa quinta-feira à noite. Talvez desde o primeiro instante tenha aprendido a pinçar a poesia que os outros deixavam cair por aí, sem notar. Mais tarde, aprendi a abrir palavras. Aprendi a tirar delas o sentido que me fosse mais adequado para preencher a folha em branco. Trazia sempre comigo a chave, outrora questionada por Drummond. Pousava em cada uma delas, as palavras, meus vários olhares, em troca da exposição de suas várias faces.

Líricas surgiu então como uma maneira de enxergar. Surgiu como uma aquarela escrita, uma tentativa de abraçar o papel, de amanhecer. Surgiu como uma maneira de envelopar o que o coração sente de mais bonito para ser entregue a quem caminhar entre as vírgulas soltas naquelas frases. Surgiu como um nó dado após alguns curtos anos de publicações soltas em um blog pessoal homônimo.

No espaço mencionado anteriormente, as letras descobriram interações. Dançaram ao som das várias vozes que por ali passaram. Souberam colocar-se em meio ao sem-fim de carinhos que vieram emoldurar cada ponto final reticente. E em meio a tanto zelo e cuidados recebidos de tantas mãos, chegamos ao momento presente. Um livro. Lembrança. Maneira mais eficaz de agradecer aos que nos trouxeram até aqui.

As palavras expostas nesses textos são, inevitavelmente, a coletânea do que me foi deixado, do que me forma, do que ainda está me sendo entregue. São frutos de um coração que sente tudo o que eu sonho como se fosse real, como também já sentiu Pessoa em algum verso. E mesmo que entre um intervalo e outro eu acabe fingindo o que não sou, lá estou.

Escrevendo sou possível. Aconteço.